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sábado, 12 de maio de 2012

Que é Amor?

Aureliano Lessa


Já viste dois elos gêmeos
Mutuamente encadeados,
Que mesmo estando afastados
Perfazem um só grilhão?

Já viste alegres voando
Sempre a par, sempre juntinhas,
Duas cândidas pombinhas
Atadas por um cordão?

Já viste duas nascentes
Que deslizando do monte
Vêm depois numa só fonte
Sobre os campos colear?

Já viste o íris celeste,
Que descendo sobre a terra
Em duas colunas erra,
Que vão no céu vincular?

Já viste duas ilhotas
De nuvens o céu perdidas,
Que mutuamente atraídas
Vão no céu se confundir?

Já viste dois alvos lírios
Que do aroma que exalam
Vâo no céu por onde alam
Um só aroma esparzir?

Tal é a imagem, donzela,
Dessa humana divindade,
Flor da sensibilidade,
Que os homens chamam – amor.

É um enigma inefável,
É um mistério profundo,
Revelado a todo mundo
Por um rosto encantador.

Como as pombas enlaçadas,
Como as fontes, numa só,
Tal é o amor, um nó,
Como os elos do grilhão.

Amor é íris celeste,
Que prendendo as almas puras,
Vai vincular nas alturas
Afetos do coração.

Como as nuvens que se atraem,
Como perfume do lírio
Que se vai juntar no empíreo
Aos aromas doutra flor;

Assim as almas se atraem
Por força da simpatia;
Tal ao céu aroma envia
Das almas o puro amor.

Eis aí, donosa virgem,
Do amor uma tosca imagem,
Pois não explica a linguagem
Mistérios do coração.

Mas eu sei que um anjo prende
Nossas almas numa só,
E que se chama esse nó
Simpatia, amor, paixão.

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